Série: TV
Ceará, Canal 2 – Capítulo IV
Minhas
lembranças pessoais
Por João Ribeiro da Silva Neto (Beiró)
Os amigos da parte técnica
Continuando a falar sobre a TV Ceará Canal 2, neste capítulo os
meus agradecimentos a toda a equipe técnica da televisão, que sempre nos
acolheu de forma excelente, com muito carinho pelo Conjunto Big Brasa e auxílio
em algumas emergências de equipamentos nossos, que passavam às vezes parte da
semana na própria TV Ceará, em virtude dos programas diários como o Studio 2. Entre
eles o Bernardo, o Spicy e o próprio Cabral, engenheiro da televisão. O
ambiente entre todos nós que participávamos da televisão, verdadeiramente, era
muito agradável, agitado, animado e alegre e que nos trouxe muitas amizades,
por coincidências cinco adjetivos começados com a letra “a”.
Ainda na área técnica enfatizo o meu agradecimento mais uma vez a
todos os técnicos, na pessoa do engenheiro Cabral, o chefe da engenharia da
televisão, com seus auxiliares como o Bernardo, Tantico e “Spicy”, pelas inúmeras
vezes que nos auxiliaram em reparos em amplificadores e cabos (às vezes uma
simples solda), quando os defeitos ocorriam nas emergências. Eu mesmo levava o
que tinha para ser consertado para a sala de oficina técnica que ficava no
segundo andar do prédio (ver planta baixa).
Os diretores de imagem
(suítes)
Entre relatos de minhas lembranças, menciono carinhosamente e com
muita saudade pessoas com quais tinha contatos frequentes, ligadas à parte
técnica. E dentre elas estão o suíte Aderson
Maia (Dedeco), uma pessoa espetacular, bondosa e que gostava muito de nossa
atuação como guitarrista do Big Brasa, brincando comigo sempre que nos
encontrávamos nos corredores da televisão. O Dedeco, como muitos o chamavam,
quando cruzava comigo nos bastidores sorria muito e gesticulava como se
estivesse fazendo os solos em uma guitarra, que ele gostava muito. Na linguagem
de TV, ele “cortava” o programa Show do Mercantil, ou seja, operava como suíte
(Diretor de imagens). Também lembro a figura do Gonzalez (também suíte, mas de outro programa que trabalhávamos, o
Studio 2. O Sebastião Belmino foi
uma das pessoas que se destacou na TV Ceará, por ter passado por vários
estágios em diferentes funções, como Assistente de Estúdio, Câmera até chegar à
condição de Diretor de Imagens. Em conversa com o Belmino sobre a planta baixa
que desenhei, para relembrarmos a TV Ceará, Canal 2, ele me reportou que teve bons, como Daniel Menezes e o próprio
Aderson Maia. Belmino se destacaria também, mas à frente, como diretor de
imagens na TVE e como apresentador e comentarista esportivo na televisão e no
rádio cearense, com muito sucesso.
Observando o desenho da planta baixa que fiz, do prédio da TV Ceará, o amigo Belmino me tirou uma
curiosidade. Eu nunca estive na sala
técnica de Direção de Imagens, mesmo porque sempre estava do outro lado,
tocando... E eu só enxergava essa sala quando estava no Estúdio grande, que
dava para avistar um vidro ao alto (no segundo andar), onde ficavam os
equipamentos. Mas explicou o Belmino que da mesa de corte (suíte), à esquerda tinha
um vidro grande onde de via o estúdio grande (A), onde o Conjunto Big Brasa
fazia o programa Studio 2 e eram feitos também alguns comerciais. Mais
antigamente as telenovelas ao vivo. Pois bem, neste estúdio ficavam duas
câmeras com torre de lentes. Câmeras um e dois. Em frente à técnica tinha a
cabine de locução, também isolada por um vidro. Vizinho tinha o estúdio (B)
onde eram feitos os comerciais ao vivo também com vidro. Uma câmera que tinha
zoom, a câmeras três. Depois os comerciais passaram para o estúdio (A). A
câmera três foi também pra lá. Auditório era tudo como estúdio (C). O auditório
não tinha visão do suíte, o que em meu entendimento poderia dificultar um
pouco. Os suítes só tinham a visão das imagens através dos previews das
câmeras.
Futuramente, quando passei a trabalhar na TVE – Televisão Educativa do
Ceará, fiz muitos programas tendo o Belmino como suíte e eu como
Sonoplasta, assim como o nosso Daniel Menezes, que além de tudo era também
radioamador, como eu.
Perdoem-me por não conseguir lembrar o nome completo de todos os
muitos amigos que fizemos naquela emissora, de praticamente todos os setores.
Os operadores de câmeras
Recordo muito os câmeras-men Fred
e William (chamado de “irmão” por
todos) e o Zé Lenir. Este trio de
câmeras fazia quase sempre o programa Studio 2, no qual o Big Brasa se
apresentava diariamente. O Irmão e o Fred faziam sempre os programas Show do
Mercantil. Outro dos câmeras-men chamava-se Peixoto. Lembro que esteve presente até durante a recepção de meu
casamento, em 1973, na Igreja de Fátima, realizada depois em nossa casa, com
uma boa turma da TV Ceará.
Do “Irmão” tenho lembranças espetaculares das muitas vezes que ele
estava me mostrando, no Estúdio A da TV, durante o programa “Studio 2” (foto acima), quando ficava, sempre sorrindo, me “perseguindo” com a câmera, mostrando os solos de
minha guitarra, com a câmera
praticamente colada à guitarra, mas, também, com o objetivo de destacar minha
aliança de forma bem acentuada, para que nossas fãs do interior do Estado a vissem.
Ele sorria muito e eu ficava, com a câmera dele muito aproximada, tentando
afastá-lo e empurrando o tripé da câmera com os pés. Todos os momentos de
intensas e agradáveis lembranças para mim. Este programa Studio 2 era diário.
Operação de áudio
Nos programas Show do Mercantil era realizada pelo conhecido Mauro Coutinho, que atuou nas
diferentes emissoras de rádio e estúdios no Ceará. A cabine de áudio ficava ao
lado do palco, no auditório do Canal 2. E víamos o Mauro e os equipamentos em sua cabine durante o programa.
Vocês sabem o que são
sinais de tempo, no rádio?
São aqueles sons que você ouve e que antecedem a marcação do tempo
pelos locutores nas partidas de futebol. Funcionam assim até hoje. O operador
de áudio interrompe a locução ou solta por cima o sinal de tempo para que o locutor possa informar: são “tantos
minutos do primeiro tempo e o placar está...”. E assim estes sinais de tempo
eram repetidos até que os ouvintes ficassem com reflexo condicionado ao som...
O Mauro Coutinho, entusiasmado, me
pediu algumas vezes para que eu gravasse com a guitarra e distorção vários
pequenos “riffs”, para que ele escolhesse sinais de tempo. E gravamos vários,
somente com guitarra e distorção. Ele escolheu um deles, que passou anos no ar
na Ceará Rádio Clube. E toda vez que eu o ouvia ficava feliz. Até hoje estou em
pleno anonimato quanto a isso, mas o prazer era grande de ter o seu solo no ar
em todas as transmissões esportivas de futebol.
O gosto por fotografia e
filmagens
Durante os programas Studio 2, como nós ficávamos de sobreaviso
para entrar a qualquer momento para nossas apresentações (três ou quatro
músicas, a depender do dia), eu gostava de ficar com alguma câmera e mostrava
imagens, sempre com o consentimento de algum deles, quase sempre o Zé Lenir. Pedia
para que os operadores me deixassem trabalhar um pouquinho com elas durante os
programas. Isso acontecia mais com a câmera 3, que me parece era a que mais
folgava. Em uma das vezes um fotógrafo da Televisão, que não lembro o nome, me
fotografou com a câmera. Tudo normal. Anos depois encontrei esta foto na
internet e fiquei até feliz por recuperar aquela lembrança. Esta imagem minha
com a câmera está entre os artigos do site Fortaleza Nobre, entre as matérias
sobre a TV Ceara.
O ambiente na TV Ceará, Canal
2
Bom relembrar para vocês que o ambiente na TV Ceará, pelo que ficou
em minha memória, sempre foi muito bom. Passávamos nos corredores, entrávamos
no estúdio principal, onde era produzido o Studio 2, as entrevistas e o Big
Brasa se apresentava sempre diariamente.
Vale repetir o conceito externado no
princípio, de que o ambiente entre todos nós que participávamos da televisão,
verdadeiramente, era muito agradável, agitado, animado e alegre e que nos
trouxe muitas amizades, por coincidências cinco adjetivos começados com a letra
“a”.
O programa do Colombo Sá
Depois, trafegando às quartas-feiras, antes ou depois da seleção de
calouros, eu entrava um pouco no estúdio
da Ceará Rádio Clube (acenava pelo visor para o Colombo Sá, apresentador do programa “Clube dos Tetéus”, pedindo para entrar no estúdio e ele acenava,
consentindo). Meu interesse pelas operações técnicas de televisão e rádio, como
tudo de eletrônico, sempre falava mais alto. A operação de áudio, que eu sempre
gostei, ficava ao lado da cabine onde o Colombo Sá apresentava o programa (todo
o estúdio, logicamente, possuía isolamento acústico. Ficava observando e
aprendendo um pouco, atentamente aos detalhes gerais, da mesa de som etc. Nem
imaginava que anos depois utilizaria aquele aprendizado como sonoplasta na TV
Educativa do Ceará, onde trabalhei por cinco anos.
Ivan Prudêncio
Da mesma forma ocorria com o Ivan Prudêncio, discotecário da Ceará
Rádio Clube. Sempre muito cuidadoso com o seu material, foi muito gentil
conosco e emprestava eventualmente disco com sucessos para que nós do Big Brasa
gravássemos as músicas para ensaiá-las e acrescentá-las ao repertório de nosso
Conjunto. E depois da utilização, com muito cuidado, eu sempre os devolvia
prontamente. Conforme o Sebastião Belmino, o Ivan Prudêncio era o melhor
sonoplasta da época das produções de telenovelas, na TV Ceará.
O restaurante “Jerbô”
Quase todos nós da televisão, do programa, músicos, artistas e
outros participantes frequentávamos o Jerbô Lanches, que ficava na Avenida Antônio
Sales, quase esquina com a TV Ceará.
Sempre antes dos programas diários ou depois deles, ou mesmo aos
finais do Show do Mercantil aos sábados, depois do ensaio-geral das
sextas-feiras eu e nosso pessoal do Big Brasa nós íamos até o Jerbô. Fiz uma vez uma prova de
honestidade com o gentil proprietário, Sr. Jerbô, para ter crédito com eles caso
um dia fosse necessário. Disse propositalmente para ele, o proprietário, Sr.
Jerbô, que desejava fazer um lanche, mas tinha esquecido a carteira, explicando
que era do Conjunto Big Brasa que tocava ali na TV Ceará. E ele olhou para mim
e disse, calmamente: “Claro que sim, rapaz, faça seu lanche à vontade”. E assim
o fiz. Lanchei e no dia seguinte o procurei para fazer o pagamento e agradecer
a gentileza dele.
Fotografias do acervo do
Conjunto Big Brasa
Ao final desta série selecionarei muitas imagens do acervo do
Conjunto Big Brasa as quais serão postadas em um álbum, que será compartilhado
com todos vocês.
Na sequência o Capítulo V com mais fatos e memórias
interessantes sobre a TV Ceará, contendo os seguintes tópicos:
- O início da participação do Conjunto Big Brasa na TV Ceará
- Muitos contatos e um
trabalho musical interessante
(*) Nota: créditos
autorais pertencentes a João Ribeiro da Silva Neto, o (Beiró), Músico
instrumentista, de formação acadêmica, Sonoplasta e Produtor Musical, dirigente
do Conjunto Musical Big Brasa, de Fortaleza, Ceará. O autor, como escritor,
produziu também três livros sobre a Música no Ceará no período da Jovem Guarda,
nos quais discorre sobre a Música em sua vida e sobre a participação do
Conjunto Musical Big Brasa no cenário musical cearense.