segunda-feira, 12 de março de 2018

Eu conheci a Messejana de outrora!


Partindo de uma brincadeira que surgiu nas redes sociais, lembrei de alguns fatos, locais, pessoas, desde que cheguei a Messejana, em 1963. E relembro algumas passagens para os amigos e amigas. Eles não estão em ordem cronológica e tem o objetivo apenas de avivar a memória de um tempo muito bom! Seguem-se locais, atividades e pessoas que merecem um destaque especial. Portanto é bom falar de Messejana, uma terra que me recebeu muito bem e que pude curtir muito aquilo que eu não fazia em São José dos Campos - SP - onde nasci, como jogar “bila” (bolinha de gude) em frente de casa, colocar navios de papel nas enxurradas, perto das calçadas, jogar futebol com os colegas, brincar de cowboy e muito mais, conforme veremos Que tempo bom!  
BAZAR DA FRANCISQUINHA LUCAS, perto da Praça da Matriz, na Avenida Frei Cirilo, onde comprei muitas vezes baralhos e outras utilidades. Ali trabalhava uma atendente muito prestativa (Mazé) e o Pedro Jorge;
A GARAPEIRA - também na mesma pracinha existia uma garapeira (não lembro o nome do dono), perto do local onde foi ponto do ônibus de Messejana por algum tempo.
RODOVIA BR-116 - apenas para os mais novos, vale dizer que a avenida que passa em frente à Igreja de Messejana era a rodovia federal “BR-116” naqueles tempos, passava por dentro de Messejana!
LAGOAS DE MESSEJANA E DA PAUPINA
Tomei muito banho na Lagoa de Messejana, tendo acesso pelo Balneário Clube de Messejana, onde em abril de 1967 estreou o Conjunto Musical Big Brasa. Mas também na Lagoa da Paupina! Existia um pequeno clube, de uma associação (FACIC) na entrada da lagoa da Paupina, que frequentávamos.
BALNEÁRIO CLUBE DE MESSEJANA
Fui sócio proprietário do Balneário Clube de Messejana, frequentei o clube muitas vezes e depois passaria a tocar nele, com o nosso Conjunto Big Brasa (inúmeras vezes). O Clube chegou a realizar grandes festas com orquestras do sul do país, renomadas. As tertúlias e as matinais também deixam saudade. Cheguei a tocamos até um carnaval no Balneário, com o Conjunto Big Brasa, além das centenas de matinais e tertúlias e outras comemorações.  Vale lembrar o “Coquinho”, um dos garçons gente muito boa que sempre atendia a nossa turma.
RADIOAMADORISMO – O “beco”, que hoje é uma rua muito movimentada, servia como ponto estratégico muito bom para os contatos locais e com outros países, através do radioamadorismo, por não ter interferências da rede de energia elétrica. Consegui falar com mais de 170 países nesta fase, além de participar da Rede de Emergência do Ceará, auxiliando os órgãos de segurança. Meu prefixo era PT7-JSN e PX7-10.245.
FUTEBOL DE BOTÃO - jogamos muito, com o Luís Peixoto (irmão das amigas e vizinhas Auristela e Auricélia), Pedro Sérgio e José Wellington, o Sérgio Alves e o Amaury Pontes. Eram partidas animadíssimas, nas quais nós mesmos ao jogar “irradiávamos” o jogo! Os campeonatos eram muito disputados. Ainda hoje tenho um time “Ceará” feito com capas de relógios, nas quais colávamos as fotografias dos jogadores retiradas dos “quadros” dos jornais. 
O CONJUNTO BIG BRASA
O nosso Conjunto Musical Big Brasa estreou, com sucesso, no Balneário Clube de Messejana, no dia 28 de abril de 1967, véspera de meu aniversário. Vivemos todos os anos do conjunto, um período inesquecível! O Conjunto Big Brasa completou 50 anos de fundado em abril de 2017. O grupo marcou uma significativa presença na televisão cearense, em bailes e outras apresentações em Fortaleza e pelo Nordeste.
Realizamos várias promoções musicais e bailes no Recreio dos Funcionários, no Balneário de Messejana e no Tremendão;
O meu pai, Alberto Ribeiro da Silva (in memoriam) também se envolveu muito por Messejana tendo sido diretor do Balneário por algumas temporadas, além de ser o mentor do Conjunto Big Brasa;
AMIZADES DE INFÂNCIA
Faziam parte de nossa turma de amigos e amigas o Aderson Alencar, Diony Maria Alencar, Fernando Hugo Colares, Cesar Barreto, Severino Tavares, Roberto Tavares, David Lélis (in memoriam), Luiz Antonio Alencar (o querido Peninha), Ruy Câmara, Dionísio Alencar, Zé Antônio, Luciano Vasconcelos, Salomão Sales, Rita Porto, Aurélio Barroso, Lúcia Ribeiro, Vera Lucia Colares, Didico, Everardo e Jamson Vasconcelos, “Titico” Benevides, Simone, Paulo Afonso, Célia e Eudásio, Liduína Barroso, Yolanda, João Guilherme, Lucinha, Verônica, Auristela, Auricélia e Socorro Peixoto, Fátima Oriá, Célia Alencar, Pedro Ricardo Eleutério (meu amigo - in memoriam) Chico Zé Alencar, Martiniano Coutinho, Penha Amorim, João Dummar Filho, Adalberto Lima, Carló (Carlomagno Lima (in memoriam) Cida Alencar, Solinésio Alencar, Célio Freitas (in memoriam), Loló e Raimundo José Vasconcelos, Antonio de Miranda Leitão, Chico Zé (do Valdir Bento), Adriana Célia, Rosângela Almeida, Adriano e Rogério Almeida, Clodomir, Fernando Hugo Colares, Edson Girão, Miguel Reinaldo, Luís Antonio Alencar e o Luís Antonio Oriá (Dr. Oriá), que estudou comigo no Colégio Cearense, Inácio Oriá, Pedro Sérgio Melo e José Wellington Freitas de Melo e muitos outros que a memória talvez tenha deixado escapar momentaneamente.     
O FUTEBOL EM MESSEJANA
Eram dois times principais, o Messejana Esporte Clube e o Salgado da Gama. Cada um com seu estádio próprio. Nas tardes de domingo era um das opções. Eu tive um pequeno time de futebol com amigos, dentre eles o Pedro Sergio Melo e Jose Wellington de Freitas Melo. Jogamos muito no Copacabana, no campinho, no Messejana e batemos bola no Campo do Salgado. Conheci muito o Pinha (in memoriam), que jogou no Salgado da Gama e no América Futebol Clube e em São Luís. Por vezes eu fazia ginástica no América Futebol Clube, quando o Pinha jogava na agremiação. Com o jogador “Zé da Senhora” eu aprendi afinar o meu violão, quando criança.
Às vezes também joguei bola no quintal da casa do Fernando Hugo (que ficava ao lado do Banco do Brasil de hoje). Bons e saudosos tempos. Bom destacar também as partidas de futebol de salão na URJA, sempre disputadas. 
Mais recentemente, através do Portal Messejana, fiz uma entrevista com o Dodô, que jogou no Salgado da Gama e no Messejana Esporte Clube.
O RESTAURANTE TREMENDÃO
Ficava às margens da Lagoa de Messejana era um recanto muito agradável. Passou por muitas administrações. Frequentei o Tremendão dezenas de vezes e realizei o lançamento de meu primeiro livro sobre o Conjunto Big Brasa lá, em 1999, em uma festa muito animada da qual participaram excelentes bandas locais, como Os Faraós, O Túnel do Tempo, Remember Beatles, O Conjunto Big Brasa, com muitos componentes e Os Rataplans.
A FEIRA DE MESSEJANA
Frequentei e ainda vou de vez em quando à feira, considerada uma das maiores do Ceará. Lá se encontra de tudo! Havia uma loja, localizada na praça da feira, que era do Sr. Alfredinho. Muito boa e cheia de utilidades. Era uma das melhores.
SERENATAS
Participamos muito de serenatas para nossas colegas, uma época em que a tranquilidade reinava em Messejana e podíamos nos divertir em paz. Fizemos muitas serenatas para as colegas de infância e juventude.
A IGREJA, O PATAMAR e O PADRE PEREIRA
Joguei muito futebol no patamar da Igreja, à noite, com os colegas. Diversão garantida. Em princípio ajudei algumas missas com o Padre Pereira, mas desisti no dia que levei um “carão” dele certamente por ter invertido uma das orações (eram em Latim e a gente conhecia apenas a sequencia). Uma hora ele me disse: “Reza direito, menino” e me mandou para a Sacristia.
O SEU ROCHA
É importante destacar que eu conheci muito o seu Rocha, que era uma excelente pessoa e um farmacêutico que me ajudou muito em minha infância e juventude. Messejana era longe de tudo e pessoas como ele ajudavam a população local demais. Prestou inestimáveis serviços para a comunidade de Messejana. E hoje em dia sou amigo dos filhos dele, em particular o Kildare Rios, um excelente músico.  
A CRISMALHAS
Conhecemos muito o Seu Vasconcelos (da CRISMALHAS - quem lembra?). Pai do Luciano Ciano Vasconcelos, Jamson Vasconcelos e Everardo Vasconcelos, todos bons amigos até hoje. Uma curiosidade: estava eu em Manaus, na Zona Franca, quando ao fazer algumas comprar avistei uma camisa, em um mostruário, que para mim era a mais bonita de todas. Pedi imediatamente para o vendedor me mostrar. E ao examinar a bonita camisa notei a etiqueta, que dizia “Crismalhas – Messejana – Fortaleza – Ceará”. Era uma das camisas que a fábrica usava para exportação! Belíssima. 
AS OFICINAS
Temos que destacar as oficinas do Faúna, que ficava na BR-116, quase em frente ao Seminário Seráfico, local que passamos muitas horas para consertar nossos jipes e outros transportes, no início. Havia também a oficina do Zé Amarelim, como era chamado, que ficava perto do Porto do Zé Serpa, embaixo de umas mangueiras. Ali trabalhava o mecânico “Maracanã”, que naquele tempo, quando era chamado para consertar os nossos carros, dizia antecipadamente, sorrindo: “pode comprar um condensador e um platinado”, sem nem verificar o defeito... E todo mundo ria disso.
A DONA CHIQUINHA
Ela fazia nossas camisas e calças. E muito bem! Ainda mora em Messejana. E a ela somos muito gratos.
O SEU CAPOTE
Era torneiro mecânico e de vez em quando solicitado para os reparos nos motores e tubulações em nossos poços.
O “SEU ZÉ” 
Andei muito de ônibus com o “Seu Zé” (Zé Bitu), motorista calmo e gente boa, que nos levava ao Colégio Cearense todos os dias; a turma dizia sempre para ele “tira o pé do freio, Seu Zé!”, porque ele dirigia sempre com a velocidade normal e correta!
OUTRAS BRINCADEIRAS
- Montamos triciclos, com o Luciano Vasconcelos e conheci um poço que dava vazão a gasolina por um período – (descobrimos o mistério depois que era por conta de um vazamento da bomba de gasolina do pai do Zé Antonio, da Panificadora Nogueira, cujo depósito teve uma avaria e começou a vazar).
- Fazíamos, por pura brincadeira, umas passeatas cantando e segurando velas, como se fosse alguma seita. O Luciano Vasconcelos certamente lembra como eram. Normalmente iniciadas em frente da antiga casa dele, na Frei Cirilo, até a pracinha da Igreja; 
- Frequentei também algumas vezes o Zé Leão para comer bifes com coca-cola;
- Jogava sinuca com colegas e amigos, inclusive o Sr. Crispim (in memoriam), que era o dono da Farmácia) bem em frente onde é hoje a farmácia principal da família; conheci também o Seu Neto (farmácia na pracinha).
- Fui muitas vezes acampar na Abreulândia (era a maior tranquilidade), passei finais de semana na COFECO, fui festas no clube de lá também; 
- O barzinho “SUBMARINO AMARELO”, na estrada do fio onde nossa turma se encontrava muitas vezes antes de sair em nossos jipes para passear!
O JOSÉ BARCELOS – O “TREM”
Estudei três anos no José Barcelos. Alguns dos professores que lembro: Isolda (inglês), João Batista (Ciências), Sérgio Benevides, Paulo Aguiar (Matemática), Zuleika Oriá, Bartolomeu Brandão dentre outros. O Sindô (não sei a grafia se está certa) era o vigia e porteiro. A Dona Célia Benevides foi uma das diretoras na época. 
A MÁXI INFORMÁTICA
Montamos, mais à frente, a primeira Escola de Informática de Messejana - a MÁXI INFORMÁTICA, que atendeu e formou mais de dois mil alunos;
O PORTAL MESSEJANA
Criamos depois o Portal Messejana (um Instituto Portal Messejana, com a finalidade de divulgar Fortaleza e o Ceará. Atualmente o Instituto Portal Messejana é uma Associação sem fins lucrativos, reconhecida pelo governo federal, estadual e municipal (uma OSCIP);
MESSEJANA, UMA TERRA QUE MUITO BEM NOS ACOLHEU
Um abraço aos amigos e amigas! E se Deus quiser ainda faremos mais alguma coisa aqui pelo bom distrito de Messejana.  


João Ribeiro da Silva Neto
Em março de 2018

Um comentário:

Jorys Holmes disse...

O texto nos remete à bucólica Messejana do passado. O autor,estribado em todos os conhecimentos vivenciados no tempo e no espaço neste importante bairro de Fortaleza, fornece ao leitor elementos suficientes à feitura de uma imaginação cênica dos relatos dispostos em cada parágrafo. Assim, aquele que teve o prazer de ler a matéria, certamente, pelo seu prisma de interpretação, fará uma belíssima viagem às rememorações do articulistas João Ribeiro. Parabéns!
Jorys Holmes